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O Pão da Minha Mãe

Este é o blog MUDE original.
Mas, como o Weblogger passou por turbulências,
voltei a escrever no Mude Blogspot.
Este é também um blog experimental,
onde não defendo posições conservadoras,
não busco ser compreendido,
e nem pretendo apenas te agradar.
Eu quero, também aqui, te fazer pensar.
Contra ou a favor ao que proponho - não importa.
Mas, pensar.



Vitalina Botticelli

Meu pai

Meu livro: Beijos no Céu da Boca

Se eu pudesse começar de novo...

Reaja !

O dia em que Mona Lisa chorou

Minha mãe




Mude,
mas comece devagar,
porque a direção é mais importante que a velocidade.
Não faça do hábito um estilo de vida.
Tente o novo todo dia.
O novo lado, o novo sabor,
o novo prazer, o novo amor.
(...)
Tente.
Ame muito,
cada vez mais,
de modos diferentes.
Lembre-se de que a Vida é uma só.
Se você não encontrar razões para ser livre,
invente-as.
(...)
Só o que está morto não muda !
Edson Marques


www.mude.blogspot.com

Antonio Abujamra escreve o prefácio do livro Mude

À venda nas Livrarias:


Também tem no Submarino

Veja meu Projeto Cultural Revolucionário

EU TE AMO

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Paritosh Keval

Sou Bisneto da Rebeldia

PRESENTE DE NATAL

Salto Profundo
Cachoeiras de São Francisco.


Em nome da Vertigem

O Poeta e o Filósofo

Kira

O Livro de Jó

Vitalina Botticelli

Meu mais recente amor eterno



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Minha literatura é feita de excessos.
Eu falo de Amor e Liberdade.
Só escrevo para loucos brilhantes
e jovens de espírito.
Se você não for nem uma coisa,
nem outra,
não vai gostar do que eu digo.




Se não for agora - quando?!


Comercial da Fiat MUDE no YouTube


Video MUDE em flash - Camila Bossolan


O Professor



Dicionário de Português


Eis o momento em que Simone Spoladore
grava o poema "Mude" para o CD
Filtro Solar - do Pedro Bial
.




ARQUIVO de DEZEMBRO

Infinito Jantar


Abujamra declama poema da página 05
do meu livro "Manual da Separação"







Às vezes repito alguns textos antigos
só para que novos leitores os conheçam.


A Orelha

Antonio Abujamra interpreta o poema Mude

PROVOCAÇÕES - TV Cultura - Toda Quarta - 23h





LEI DOS DIREITOS AUTORAIS

Vivo tentando derrubar minhas próprias convicções.
Só para ver até que ponto elas resistem.


Novo vídeo MUDE no YouTube

Veja o Comercial "Mude" - Fiat
Após entrar, dê um click em O Semelhante


Sete Personagens à Procura de Mim

Ouça o "Mude" no CD FILTRO SOLAR do Pedro Bial

Estou profundamente envolvido
em alcançar uma concepção de arte e de literatura
que se torne uma emocionante Filosofia de Vida.


Mulheres

meu orkut



Mude

Meu livro "Manual da Separação"
pode ser encontrado, entre outras livrarias,
na Temos Livros, fone (11) 3223.2585.
Em Santos => Realejo Livros - (13) 3289.4935

Vídeo Mude - Camila Bossolan

Poema MUDE - Autor: Edson Marques
Fundação Biblioteca Nacional do Ministério da Cultura
Registro: 294.507 - Livro: 534 - Folha: 167


Mude

Mas comece devagar,
porque a direção é mais importante
que a velocidade.
Sente-se em outra cadeira,
no outro lado da mesa.
Mais tarde, mude de mesa.
Quando sair,
procure andar pelo outro lado da rua.
Depois, mude de caminho,
ande por outras ruas,
calmamente,
observando com atenção
os lugares por onde
você passa.
Tome outros ônibus.
Mude por uns tempos o estilo das roupas.
Dê os teus sapatos velhos.
Procure andar descalço alguns dias.
Tire uma tarde inteira
para passear livremente na praia,
ou no parque,
e ouvir o canto dos passarinhos.
Veja o mundo de outras perspectivas.
Abra e feche as gavetas
e portas com a mão esquerda.
Durma no outro lado da cama.
Depois, procure dormir em outras camas.
Assista a outros programas de tv,
compre outros jornais,
leia outros livros,
Viva outros romances!
Não faça do hábito um estilo de vida.
Ame a novidade.
Durma mais tarde.
Durma mais cedo.
Aprenda uma palavra nova por dia
numa outra língua.
Corrija a postura.
Coma um pouco menos,
escolha comidas diferentes,
novos temperos, novas cores,
novas delícias.
Tente o novo todo dia.
o novo lado,
o novo método,
o novo sabor,
o novo jeito,
o novo prazer,
o novo amor.
a nova vida.
Tente.
Busque novos amigos.
Tente novos amores.
Faça novas relações.
Almoce em outros locais,
vá a outros restaurantes,
tome outro tipo de bebida
compre pão em outra padaria.
Almoce mais cedo,
jante mais tarde ou vice-versa.
Escolha outro mercado,
outra marca de sabonete,
outro creme dental.
Tome banho em novos horários.
Use canetas de outras cores.
Vá passear em outros lugares.
Ame muito,
cada vez mais,
de modos diferentes.
Troque de bolsa,
de carteira,
de malas.
Troque de carro.
Compre novos óculos,
escreva outras poesias.
Jogue os velhos relógios,
quebre delicadamente
esses horrorosos despertadores.
Abra conta em outro banco.
Vá a outros cinemas,
outros cabeleireiros,
outros teatros,
visite novos museus.
Mude.
Lembre-se de que a Vida é uma só.
Arrume um outro emprego,
uma nova ocupação,
um trabalho mais light,
mais prazeroso,
mais digno,
mais humano.

Se você não encontrar razões para ser livre,
invente-as
.

Seja criativo.
E aproveite para fazer uma viagem despretensiosa,
longa, se possível sem destino.
Experimente coisas novas.
Troque novamente.
Mude, de novo.
Experimente outra vez.

Você certamente conhecerá coisas melhores
e coisas piores,
mas não é isso o que importa.
O mais importante é a mudança,
o movimento,
o dinamismo,
a energia.

Só o que está morto não muda!

Edson Marques.

Change

Only what is dead does not change
- and you are alive.

Versão em inglês feita por Paulo Coelho.


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Janeiro 2008
Dezembro
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Outubro
Setembro
Agosto 2007
.

Evolução do contador de acessos:
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Aguardem o romance "Solidão a Mil":
uma forma nova de fazer literatura.
Com prefácio de Antonio Abujamra

Nunca é cedo (tarde) demais
para tornar-se um Rebelde




Se você não encontrar meus livros
Mude ou Manual da Separação
na sua cidade, mande um e-mail para:
LivrariaMude@Gmail.com


Fone: (11) 3088.8444

Todos os textos aqui publicados
foram escritos por mim.

Edson Marques



. . 
MUDE sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Hoje acordei de manhã, esparramado na sala depois de ver o começo de um filme, e havia uma mulher me acariciando, emoldurada, pertinho do meio copo de vinho vermelho caído no chão que esqueci de tomar, entusiasmada, segurando uma enorme bacia de girassóis. Essa mulher, que nunca vi triste, que incentivou sempre os meus amores, me inspira suspirando todo dia, me aceita como sou - e me diz, a seu modo, que o verdadeiro amor é a união de duas espontaneidades, a fusão passageira e desgovernada de dois ou três devaneios complementares. Essa mulher é minha mãe.

Então dou um beijo na boca da foto, me viro de lado, abraço o travesseiro azul e volto a ver Kurosawa. Pois ainda quero sonhar com Van Gogh de novo. E porque sou produto escandaloso de uma deliciosa mitologia grega, sonharei com Freud também, naturalmente.



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MUDE quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Anteontem eu fui ao Manicômio de Franco da Rocha procurar pelo meu avô paterno. A ficha dele. Não achei. Ele era um louco delicado que enlouqueceu do lado errado. Dizem que os irmãos o deixaram certo dia jogado numa rua de São Paulo, sozinho, tremendo de frio, para que morresse abandonado e lhes deixasse a sua parte na herança.

Conseguiram.

Seu nome era Joaquim. Ele não havia suportado a morte do grande amor de sua vida, que caíra de uma laranjeira sobre um toco de cerca. Alienou-se do mundo por causa disso. Partiu-se em dois. Para esquecer Maria, não abraçou a poesia: abraçou a tristeza e mergulhou no álcool. Ele esqueceu-se de si mesmo e esquizofrenou-se fundamente.

Por isso eu digo que o coitado enlouqueceu do lado errado..



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MUDE quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Há uma diferença fundamental entre o racismo nos Estados Unidos e no Brasil. Lá, as atitudes racistas sempre foram evidentes, o que favorece a escolha dos estilos de resposta pelos negros. E eles se fortalecem porque o inimigo se mostra. Aqui no Brasil, nessa questão, tudo é hipocritamente dissimulado: ninguém, rigorosamente ninguém assume publicamente ter preconceito racial contra os negros. Portanto, para os negros, de certo modo, não há objetivos claros contra o que lutar. Ou seja, a não explicitação do preconceito acaba perenizando o próprio preconceito. Partindo desse princípio, suponho que dificilmente teremos no Brasil uma liderança política negra de expressão nacional.

A propósito: sou contra a atual política de quotas nas Universidades. Para mim, o critério para ingresso deve ser exclusivamente intelectual. Cor da pele ou ascendência social menos favorecida não são critérios racionais para nenhum tipo de promoção. Pois considero os negros tão capazes quanto os brancos e os amarelos.



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MUDE terça-feira, 26 de fevereiro de 2008
Os saudáveis enlouquecem.
Os outros ficam por aí, parecendo normais
...


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MUDE segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

O apego, a coisas ou pessoas, é sinal de insegurança, insensatez. Mas, se alguém tiver mesmo necessidade compulsiva de apegar-se a alguma coisa, que se apegue logo a uma BMW conversível, e não a uma canequinha de lata. Apegar-se a uma caneca de lata, ou a um saquinho de tranqueiras, isso é ridículo. Imperdoável.

Enquanto o apego te prende ao solo, o desapego te conduz às Alturas.

Lembre-se de Jesus e sua bela metáfora dos pássaros no Céu...



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MUDE domingo, 24 de fevereiro de 2008

Eu não penso que tenha o poder de salvar alguém ou coisa alguma, além de Mim. Quem sou eu para me achar um Salvador? Sou apenas um poeta, que ouve os pássaros da manhã e transforma em palavra o que me dizem.

Mas ainda não cheguei à Suprema Loucura de conversar com eles...



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MUDE sábado, 23 de fevereiro de 2008

Há hoje no meu peito uma explosão em vias de acontecer. Contida pelo seu próprio desejo de ser maior, ela se alimenta com o sangue vermelho das minhas paixões entusiasmadas. Ela respira, pulsa, espera, espreita, suspira e dança. Prepara-se como se preparasse um salto.

Há hoje dentro de mim uma deliciosa explosão em vias de acontecer. Mas os sentidos são duplos: encontrar-me apenas como metáfora de mim é a maior das perdições.

A vida é uma floresta virgem.



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MUDE sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008
Hoje eu só quero tocar o clitóris da própria Vida.

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MUDE quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Nossa primeira professora já nos ensinava que toda história tem que ter começo, meio e fim. Então, por que você acha que a nossa história, a nossa história de amor, também não fosse ter começo, meio... e fim?



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MUDE quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Depois de ler o que eu disse recentemente sobre o K2 e o meu conceito de amores vencidos, muita gente me faz perguntas a respeito, que acabam se resumindo na seguinte:

Quando a relação acaba no pico, o que é que sobra pra gente?

Não tenho resposta pronta nem definitiva, mas eis o que agora penso: Quando uma relação de Amor acaba no Pico, sobra pra gente uma bela e deliciosa lembrança, e dois corações entusiasmados, livres, vibrantes, e prontos para encontrar um novo grande Amor.

Porém, quando esperamos que o amor primeiro acabe, se desespere e se despedace, o que é que sobra pra gente?

Sobram dois corações amargurados e uma tristeza quase infinita. E então, nesse caso, logicamente, fica muito mais difícil pra gente encontrar um novo Grande Amor...

Pense nisso.



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MUDE terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Não tenho uma vida só: tenho muitas. De madrugada, ao me levantar, escolho uma delas para viver durante o dia. E são todas gostosas, porque livres. Depois, à noite, quando volto para minha choupana em busca de abrigo após extensa jornada de lutas e glórias, guardo em mim essa vida que hoje vivi, e vivo-a de novo, poeticamente, de modo agora muito mais profundo.
Sou um garimpeiro de sonhos remexendo cascalhos de amor.
Se vou mudar, nem Deus sabe.
Eu acho que sim.



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MUDE segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008


Olho para o meu corpo como se olhasse a própria Natureza.
Um pedaço dela - o mais importante, concluo.
Quando passo as mãos em mim,
é como estivesse refinando uma escultura,
e cobrindo-a de amor e de ternura.


Eu, meu alimento!



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MUDE segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Nhô Dito era um velho negro sábio, que trabalhava conosco na fazenda lá do Paraná. Ninguém sabia de onde viera, nem sequer se tinha sobrenome. Andava com uma faca média na cintura e carpia de sol a sol. À noite, sentado num pau de lenha e fumando cigarro de palha, ele me dava lições de vida e me contava histórias encantadas. Eu devia ter uns seis ou sete anos. Eram fabulosas alegorias. Certa vez, me lembro bem, ao pé do fogo, enquanto ouvíamos uma onça ali por perto, ele me disse que, quando por acaso me perdesse na floresta e precisasse tirar um espinho do pé, a solução era simples: bastava utilizar um espinho maior.

Saudades do Nhô Dito.

Ele me ensinou a fazer arapuca pra caçar inhambú, a fazer bodoque de cipó, a fazer picada com foice no meio do mato pra não se perder. Dizia já ter visto saci-pererê, mula sem cabeça e boitatá. Dizia também que a vida é uma floresta, e que a nossa melhor arma é "saber contar". Nhô Dito era um mestre zen caipira. Foi com ele que aprendi a contar.

E é por isso que eu vivo contando coisa e contando causo.



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MUDE sábado, 16 de fevereiro de 2008

Existem pessoas que dizem amar, mas cometem práticas totalitárias e ditatoriais contra o ser amado. Suprimem a liberdade, querem que o outro preste contas dos seus atos, e que faça um relatório até do que possa estar pensando. Exigem que o outro altere planos de vida, isole-se do mundo, renegue suas convicções, abandone seus desejos, afaste-se dos amigos e destrua a própria personalidade.

Existem pessoas que controlam o ser amado de uma forma irracional. Se pudessem, instalariam câmeras de vídeo no coração do pobrezinho. Viram carcereiros. Desrespeitam a privacidade do ser amado. Vigiam. Jogam o jogo sujo do poder, praticam chantagem emocional, agarram, prendem, oprimem, sufocam.

E chamam isso de amor...
Que horror.


Esse texto é do meu livro Beijos no Céu da Boca - volume 2 - página 108.



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MUDE sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008
Ainda vou tornar-me um morador de lua. Toda noite, poeticamente, varrerei a poeira das estrelas com um cintilante buquê de rosas vermelhas e depois dormirei sonhando no meio-fio de uma navalha louca.
Abraçado a Baudelaire.
E coberto com um lençolzinho de cetim azul-celeste, é claro...


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MUDE quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008
Não adianta só correr atrás dos sonhos.
É preciso ir à frente deles.


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MUDE quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Essa questão do Pico do Amor, e da melhor forma de deixá-lo ou não, é bastante complexa. Mas acho que a melhor solução é aquela dos alpinistas: Chegando lá no pico do K2, fincam uma bandeirinha, curtem momentos de glória, entram em transe... e descem para uma nova escalada. Depois, vão ao Everest, etc. Pode até ser que um dia voltem ao K2, quem sabe.
Mas se ficarem lá para o resto da Vida perde a graça...
Perde completamente a graça!
Eu acho.
Mas cada um é cada outro...

Hoje, no outro blog Mude, eu falo dos Sexercises.



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MUDE terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Nossos bens nos sufocam, e nossos males, também. Não nos deixam respirar livremente. Por isso temos que nos desfazer deles, de forma racional, pouco a pouco, todo dia. Dos males já me desfiz, quase todos. Mas, se eu, no dia em que morrer, tiver mais do que dez dólares no banco, algo terá saído errado com a minha história. Acumular dinheiro e gozar a vida são coisas mutuamente excludentes. Aliás, o grande Walt Whitman já dizia que não precisamos de um puto sequer no bolso para comprar tudo aquilo que a vida tem de melhor.

Mas não me interpretem mal, meus amores: isso tudo é poesia... Em circunstâncias idênticas, com as mesmas condições físicas, com o mesmo caráter e com a mesma visão intelectual do mundo, eu acho muito melhor e muito mais gostoso ser rico do que ser pobre.



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MUDE segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

O fim do caminho
nunca deve ser o fim
do caminhante.




O fim do caminho é sempre um limite.
E o fim do caminhante é alcançar a Deus.



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MUDE domingo, 10 de fevereiro de 2008

Sou poeta, sou macio, sou redondo e pequenino. Sou criança, inocente. Tenho a pele delicada, sou feito para o beijo e a ternura, para o afago e a carícia. Se me envolvem com verdades e doçura, com poesias e romance, eu me deixo conduzir alegremente. Dou a minha mão com a mesma facilidade com que dou a minha alma. Dou-me todo, viro um anjo, sensual, glorificado. Mas, se por acaso me enganam e tentam me explorar; se me mordem, eu reajo feito a salamandra de pele áspera. Viro veneno. Se me oprimem e me engolem por maldade, produzo toxina fulminante. E como sou grande por dentro, me salvo de quem me prende, e saio de novo para a Vida, louco e livre, como sempre. E volto outra vez a ser gostoso, bem macio, bem poeta, alegre e doce, pequenino, e pronto novamente para o beijo e a lambida, o afago e a ternura.



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MUDE sábado, 9 de fevereiro de 2008

Quando eu tinha seis ou sete anos, achava que as Três Maiores Criações (Invenções ou Descobertas) da Humanidade eram a Escrita, o Orgasmo e a Roda.

Continuo achando.
Não necessariamente nesta ordem...



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MUDE sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Por volta de 2004, pesquisa feita entre tradutores britânicos elegeu a palavra "saudade" como a sétima mais difícil de ser traduzida. E se é difícil para o inglês, suponho que será igualmente difícil para o português. Nos dicionários, a saudade é definida quase sempre como recordação nostálgica, "lembrança triste de pessoas ou coisas distantes ou extintas, acompanhada do desejo de as tornar a ver ou possuir".

Ouço também dizer que esse sentimento "dói". Entretanto, na minha concepção, saudade é uma espécie de alegria resgatada. Uma lembrança gostosa e compreensiva fundada no desapego. A saudade que eu sinto nunca dói. Mesmo porque só sinto saudade de coisas belas e boas que me trouxeram algum tipo de alegria. Pessoas, lugares, circunstâncias, tempos - todos agradáveis. Aliás, nem com muito esforço eu consigo ligar a palavra saudade a coisas tristes ou dolorosas.

Você é capaz de ligar saudade a coisas doloridas?

Para você, saudade dói?

Ou será que esse sentimento que para alguns "dói" deve ter outro nome?

Tal sentimento carregado de dor não será só frustração por posses perdidas?



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MUDE quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Nesta madrugada feita de silêncio e de janelas vejo ali, sentado num canto da sala, meu arrependido pai, quieto e misterioso, com as mãos cruzadas sobre os joelhos e olhando pra mim. Ele me olha como se eu ainda existisse. Sei que veio buscar a oração que em sonho agora há pouco escrevi. Ofereço-lhe um copo de leite como se lhe desse uma flor, branca e fúnebre, mas ele faz um gesto delicado, recusando. Diz que tem pressa. Sempre foi assim, o coitado. E agora, mesmo depois de morto, vive apressado. Eu me levanto, estendo-lhe as mãos, dou-lhe o texto e um abraço. Ele chora em meus ombros e diz que se arrepende por nunca ter demonstrado o carinho profundo que sentia por seus filhos. E repete, soluçando e falecido: Iracy foi a única mulher que eu amei de verdade.

Acredito.

E choro também ao me lembrar da vida que lhe fugiu das mãos de repente. Ele me diz que precisa ir e se despede. Mas, antes que ele saia, peço-lhe que passe lá no sul do Paraná ainda hoje, e dê um abraço demorado em minha mãe. Diga-lhe que a distância deixa triste o coração do primogênito. Diga-lhe também, Pai, que todos os dias, pensando nela, escrevo poesias de amor em silêncio dentro de mim.

Então, sem que a porta precise se abrir, ele se vai.



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MUDE quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008


Quero ser livre, meu Amor:
arranca-me de dentro de ti!



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MUDE terça-feira, 5 de fevereiro de 2008
O amor pode ser uma porta que se abre ou uma porta que se fecha. O amor pode nos libertar ou nos aprisionar. Depende sempre de quem o sente, e do conceito que este tem a respeito do seu significado. E das suas intenções.

Porque há o verdadeiro e o falso amor.

Como cada um de nós tem um sistema de valores, cada um de nós valoriza o amor de um modo único. Cada um de nós ama de uma forma diferente. Tem gente que "prende" para dizer que ama, e tem gente que "liberta" para dizer que ama.

Quem está certo?

Depende sempre do ponto de vista.

Para mim, amar é reconhecer afetuosamente o direito que o OUTRO tem de fazer suas escolhas. Mesmo que essas escolhas às vezes me excluam...

Dito de outra forma: se um determinado sentimento restringe a liberdade, que seja chamado por qualquer outro nome -- menos de amor.


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MUDE segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008
O que deixa cicatrizes não é a criação nem a vivência de um doce triângulo amoroso, que é sempre belo em si. O que deixa cicatrizes são os motivos que nos levam a desfazê-lo. 

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MUDE domingo, 3 de fevereiro de 2008

Tem gente que é tão estressada,
mas tão estressada, 
que o próprio coração nem bate mais:
só faz tic-tac...
tic-tac...



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MUDE domingo, 3 de fevereiro de 2008
Sempre fui contra alegria com hora marcada. Isso, é claro, incluía o carnaval. Entretanto, essa festa é uma autêntica manifestação da cultura popular brasileira - e deve ser respeitada.  Tem uma beleza estética impressionante.  E mexe com a sensualidade em primeiro lugar, valorizando-a. Incentiva a dança e as alegorias entusiasmadas. Também tem a função de liberar um pouco mais o corpo humano e desmistificar certas proibições conservadoras, especialmente as ligadas ao sexo. Nesse sentido, tem algo de muito positivo.

Enfim, é melhor alegria com hora marcada do que tristeza com hora marcada.


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MUDE sábado, 2 de fevereiro de 2008
Num relacionamento pessoal, o momento mais difícil ocorre quando o amor já morreu, e temos que encarar esse fato, naturalmente. Ou, ainda, quando o amor deve morrer, mas não temos mais aquela vontade de matá-lo de vez.

Às vezes, o amor deve morrer para que a relação sobreviva; outras vezes a própria relação é que deve acabar para que o amor não morra.


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MUDE sábado, 2 de fevereiro de 2008

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Arquivo de janeiro 2008

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