Meu livro "Manual da Separação" pode ser encontrado, entre outras livrarias, na Temos Livros, fone (11) 3223.2585.
Em Santos => Realejo Livros - (13) 3289.4935
Mas comece devagar,
porque a direção é mais importante
que a velocidade.
Sente-se em outra cadeira,
no outro lado da mesa.
Mais tarde, mude de mesa.
Quando sair,
procure andar pelo outro lado da rua.
Depois, mude de caminho,
ande por outras ruas,
calmamente,
observando com atenção
os lugares por onde
você passa.
Tome outros ônibus.
Mude por uns tempos o estilo das roupas.
Dê os teus sapatos velhos.
Procure andar descalço alguns dias.
Tire uma tarde inteira
para passear livremente na praia,
ou no parque,
e ouvir o canto dos passarinhos.
Veja o mundo de outras perspectivas.
Abra e feche as gavetas
e portas com a mão esquerda.
Durma no outro lado da cama.
Depois, procure dormir em outras camas.
Assista a outros programas de tv,
compre outros jornais,
leia outros livros,
Viva outros romances!
Não faça do hábito um estilo de vida.
Ame a novidade.
Durma mais tarde.
Durma mais cedo.
Aprenda uma palavra nova por dia
numa outra língua.
Corrija a postura.
Coma um pouco menos,
escolha comidas diferentes,
novos temperos, novas cores,
novas delícias.
Tente o novo todo dia.
o novo lado,
o novo método,
o novo sabor,
o novo jeito,
o novo prazer,
o novo amor.
a nova vida.
Tente. Busque novos amigos.
Tente novos amores.
Faça novas relações.
Almoce em outros locais,
vá a outros restaurantes,
tome outro tipo de bebida
compre pão em outra padaria.
Almoce mais cedo,
jante mais tarde ou vice-versa.
Escolha outro mercado,
outra marca de sabonete,
outro creme dental.
Tome banho em novos horários.
Use canetas de outras cores.
Vá passear em outros lugares.
Ame muito,
cada vez mais,
de modos diferentes.
Troque de bolsa,
de carteira,
de malas.
Troque de carro.
Compre novos óculos,
escreva outras poesias.
Jogue os velhos relógios,
quebre delicadamente
esses horrorosos despertadores.
Abra conta em outro banco.
Vá a outros cinemas,
outros cabeleireiros,
outros teatros,
visite novos museus.
Mude.
Lembre-se de que a Vida é uma só.
Arrume um outro emprego,
uma nova ocupação,
um trabalho mais light,
mais prazeroso,
mais digno,
mais humano.
Se você não encontrar razões para ser livre,
invente-as.
Seja criativo.
E aproveite para fazer uma viagem despretensiosa,
longa, se possível sem destino.
Experimente coisas novas.
Troque novamente.
Mude, de novo.
Experimente outra vez.
Você certamente conhecerá coisas melhores
e coisas piores,
mas não é isso o que importa.
O mais importante é a mudança,
o movimento,
o dinamismo,
a energia.
Duas coisas são básicas na boa formação do ser humano: pensar rápido e enganar autoridades. Sem essas duas qualidades você sucumbe. E como eu era pequeno por fora, economicamente dependente, e tinha pai autoritário, fui obrigado a pôr asas no meu cérebro - e aprender a jogar.
Já vem daquela época esse meu poder de enganar todas as "autoridades". Do inspetor de alunos ao juiz da moral; do dono do time ao dono da bola; do síndico do prédio à polícia rodoviária, passando pelo padre, pelo pastor, e pela zelosa mãe de uma lolita.
Quando vejo vocês todos, tão atarefados, tão apressados, tão sérios e compenetrados; quando vejo vocês carregando tijolos para construir suas escadas, e ao mesmo tempo subindo por elas, suados, arfando - eu me espanto com tamanha tolice. Disseram-lhes que tem que ser assim, e que esse é o modo "certo" de viver.
Acontece que, desse jeito, no fim da vida, quando vocês estiverem pisando o último degrau, cansados e sem nunca terem lido Walt Whitman, verão que essa absurda escada imóvel acaba dando numa enorme parede fria, que tem duas características:É de cimento - e é errada!
Se você estiver doente, carente, ou à beira da morte, nem venha me ver. Porque nesta casa não tenho remédios. Aqui se troca entusiasmo por alegria -- ou vice-versa. Não tenho aspirina, novalgina, dipirona ou anadores. Aqui só tenho abraços, estrelas e flores, vinho, música e amores!
Portanto, eu te convido a compartilhar comigo esse teu deslumbramento..
Eu sempre ultrapasso meus heróis e sempre abandono meus amores. Mas essa ultrapassagem não é por mera competição, e esse abandono não é por simples maldade: ultrapasso meus heróis por uma questão de crescimento, e abandono meus amores... por Amor!
Claro que muitos amores igualmente me abandonam. Alguns, por não suportarem um relacionamento aberto, outros por talvez não conseguirem compreender o meu conceito de liberdade absoluta. Mas, muitos me abandonam por Amor, também, certamente.
Alexandre, o Grande, com menos de 40 anos já tinha conquistado o Mundo. Mas, com menos de 50 já estava morto... Será que adianta?
Reformulando, para que seja melhor compreendido. Claro que tem gente que morre antes dos 50 sem ter conquistado coisa alguma. Mas não é esse o foco desse meu texto. Eu me refiro ao desapego como algo superior à ganância. Eu me lembro de Diógenes preferindo o sol à sombra de Alexandre. Eu me lembro de Jesus e Henry Miller. Eu me lembro de mim (que escrevo ensaios em vez de construir uma casa) e também de você (que encontra tempo para ler poesias, em vez de seguir o rebanho dos que se estressam).
Como é belo sermos trapezistas nesse circo em que a vida se transforma... Às vezes estamos na corda bamba, às vezes fazemos papel de palhaços, às vezes rimos dos outros palhaços, outras vezes rimos de nós mesmos - e ainda muitas outras vezes enfrentamos as feras. Mas vivemos sempre lá em cima, trapezistas da nossa própria existência, bailarinos da nossa própria esperança. Muitas vezes tiramos até as redes de proteção para que o risco seja maior que o riso, para que nossos saltos sejam mais emocionantes e mais altos, para que a aventura seja ainda mais perfeita e mais profunda.
E se um dia nós voarmos de encontro ao chão, isso não terá nenhuma importância maior, porque também viveremos a emoção da própria queda.
Quando os pais não valorizam a Liberdade e não ensinam o filho a dizer "não" - nem lhe permitem o sagrado direito de fazer escolhas - ele se tornará um bichinho obediente, digno de dó. Aceitará tudo o que lhe disser o padre ou o pastor; não questionará os professores; vai seguir sempre o que lhe manda a namorada ciumenta; terá muito medo da polícia; será subordinado a chefes autoritários; e provavelmente vai se casar com uma mulher medíocre - só para reproduzir a espécie...
Viverá com o rabo no vão das pernas pelo resto da vida. Jamais será um líder. Portanto, se você tem filho - ou é um - pense nisso!
Conte para o seu namorado ou namorada (marido ou esposa, pai ou mãe, colega, amigo, amante) aquele segredo que, se revelado, mais ameaça o seu relacionamento.
Assuma o risco - e conte!
Ou você não vai contar porque tem medo de que a coisa desande?Ora, se for apenas por isso, então eu pergunto: Por que manter um relacionamento que não suporta sequer um segredinho revelado?
Cabos de aço não conseguem segurar a vida, porque ela não se prende a brutalidades. A vida não se liga a coisas amargas, brutas ou grosseiras. Há que ser fino para viver de verdade. É preciso vestir-se de véu para viver de luz.Ou você acha que seria possível viver sempre de mortalha?
Às vezes, fico abismado ao concluir que estas coisas que se transformaram em mim já existiam - separadas - e se uniram exclusivamente para que eu me tornasse o que sou. E que outras ainda vão chegar para tornarem-se-me. E eu fico pensando. Qual a sensibilidade divina que as conduz até mim? Por que me escolhem? Ou por que é talvez que aceitam meu convite poético e sutil para que venham? De qualquer forma, sinto como se Deus derramasse flores e estrelas na minha cabeça. Todos os dias..
Também tenho certas rotinas. Todos os dias acordo naturalmente. Abro a janela da madrugada, sorrio, gargalho, saúdo-me, estico-me, alongo-me, beijo-me. Amo-me, loucamente. Celebro-me! Dou uma espreguiçada orgástica, felina, demorada, leio alguma coisa leve, tipo Lorca ou Neruda, excito meus neurônios, faço alguns planos, desfaço muitos outros - e então me levanto, em todos os sentidos. Arrumo minha cama zen. Quinze minutos de pilates, mil e duzentos socos poéticos no ar e me torno Bruce Lee. Nem me lembro da palavra pressa. Vejo se sobrou na pia alguma louça ou copo da noite anterior, e lavo-os, delicadamente. Arrumo as flores, rego as plantas, falo sozinho, canto, grito e danço. Viro uma festa. Depois, com ajuda de Beethoven, jogo o lixo, meditando, como fosse um jogo. Faço café com amor e água benta, quase fervida na chaleira que ganhei de minha mãe. Aprendo uma palavra nova numa língua diferente, e então sento-me aqui para te contar os meus sonhos. Mais tarde, vou ver o mar azul do Guarujá - e caio no mundo... É a vida!
Nas questões do Amor, há quem prefira relâmpagos e há quem prefira luzes menos fortes. Tem gosto pra tudo. Quem prefere relâmpagos sempre encontrará pessoas que adoram relâmpagos, e quem gosta de uma luz meio mortinha, também vai achar alguém que gosta de uma luz meio mortinha... Aliás, como dizia minha vó Vitalina, não existe panela sem tampa.
Acontece que mesmo a luz meio mortinha... um dia também se apaga.
Sou poeta, sou macio, carinhoso e pequenino. Sou criança, inocente. Tenho a pele delicada, e sou feito para o beijo e a ternura. Para o afago e a carícia. Se me envolvem com verdades e doçura, com poesia e com romance, eu me deixo conduzir alegremente. Dou a minha mão com a mesma facilidade com que dou a minha alma. Dou-me todo, viro um anjo sensual. Tenho fé em quem me encanta.
Mas, se por acaso me enganam e me exploram; se me mordem - eu reajo feito a salamandra de pele áspera. Viro veneno. Se me oprimem e me engolem por maldade, produzo toxina fulminante no interior de quem me come. Ainda assim, e porque sou grande por dentro, eu me salvo de quem me prende, e saio de novo para a Vida - louco e livre, como sempre.
E volto a ser macio, inocente, poeta, doce, carinhoso e pequenino - e pronto outra vez para o beijo e a lambida, para o afago e a ternura.
Este eu que ora sou, aqui, hoje, num enorme, num desesperado esforço de imaginação, pode até jurar-te amor eterno. Mas, como esperar, como exigir que o outro eu que amanhã certamente serei cumpra eternamente o que te promete este eu que agora sou?
"Desconfie sempre da sabedoria convencional. O senso comum precisa ser confrontado com perguntas, muitas perguntas. Algumas não levarão a nada. Outras vão produzir respostas absolutamente surpreendentes." Steven Levitt - Freakonomics. Veja aqui o brilho do lado oculto das coisas.
Nem preciso dizer - mas desconfie também da burrice convencional.
Eu tenho muitos amigos e sou fiel a todos eles. E ninguém se espanta com isso. Ninguém vê contradição nessa múltipla fidelidade. Aliás, espera-se que assim seja: temos realmente que ser fiéis a todos os nossos amigos.
Mas quando eu digo que tenho muitos amores - e soufiel a todos eles - algumas pessoas se mostram espantadas. Dizem que isso é impossível. Acham até que, sendo assim, pareço contraditório.
Ora, essas pessoas acabam cometendo um erro quase indesculpável: confundem fidelidade com exclusividade sexual. Chegam ao cúmulo de dizer que só se pode ser fiel a um amor...
Então eu pergunto:
Se é possível ser fiel a vários amigos, por que não se pode ser fiel a vários amores? Se eu e você podemos, por que os outros não podem?
Minha vó Vitalina me dava conselhos inteligentes. Um deles é inesquecível: Ao cometer um pecado delicioso, devemos pensar sempre duas vezes. Ambas depois de cometê-lo.
Se não rompermos os limites que alguns dizem existir, nunca atingiremos a felicidade. Porque a felicidade está sempre além de algum limite imposto a nós - nunca antes dele. Acontece que no caminho da vida há circunstâncias que eu mesmo crio por ser livre, e outras que me caem na cabeça feito um manto espesso. Ao aceitá-las, as que eu crio e as que outros criam para mim, acabo tornando-me responsável por todas elas. Sou cúmplice dos que me prendem. Há uma vasta teia de relações que mantenho, milhões de papéis que assumo e desempenho - alguns agradáveis, outros não. E quando, supondo-me livre, não reajo no sentido de escolher só as circunstâncias agradáveis, e continuo mantendo relações que me oprimem - sou o único responsável por isso. Não será esse também o teu caso? Temos que ler os sinais que a vida nos dá - e entendê-los.
Se não rompermos os limites que alguns dizem existir, nunca atingiremos a felicidade. A felicidade está sempre além de algum limite imposto a nós - nunca antes dele. Acontece que no caminho da vida há circunstâncias que eu mesmo crio por ser livre, e outras que me caem na cabeça feito um manto espesso. Ao aceitá-las - as que eu crio e as que outros criam para mim - acabo tornando-me responsável por todas elas. Sou cúmplice do que me ocorre. Há uma vasta teia de relações que mantenho, milhões de papéis que assumo e desempenho - alguns agradáveis, outros não. Quando, supondo-me livre, não reajo no sentido de escolher só as circunstâncias agradáveis, e continuo mantendo relações que me oprimem - sou o único responsável por isso. Não será esse também o teu caso? Temos que ler os sinais que a vida nos dá - e entendê-los.
Logo de manhã, assim que abro a janela do meu peito, já tomo a minha dose diária de fascínio. É por isso que, como o Mefistófeles de Goethe, em cada mulher eu vejo uma Helena de Tróia. Dizem que esse é o meu maior defeito. Mas eu acho essa a minha melhor virtude.
"Atrás de um grande homem há sempre uma grande mulher..." - dizem. Será? Veja bem: enquanto Napoleão conquistava o Egito, Josefina, em Paris, vivia tropeçando nas escadarias do palácio, chorando de saudade do marido e catando pulgas num cãozinho sarnento. E fazendo religiosamente duas coisas: tricô e fofoca. Será que esse ditado faz sentido, mesmo? Eu acho que atrás de um grande homem tem sempre uma mulher medíocre. Se a coitada fosse mesmo uma grande mulher, estaria à frente dele.
"Matar-se" para ganhar a vida é a pior espécie de morte. No trabalho obrigatório a imaginação não se enfeitiça, não sobe montanhas, não escala picos. Quando executamos sem prazer uma tarefa (no escritório, na fábrica, no consultório, na cozinha, no balcão), nada de verdadeiramente grandioso se acrescenta à Vida. O mundo não fica um pingo melhor. Buda era um filósofo andarilho, Júpiter vivia fazendo amor, Shiva dançava dia e noite, Jesus adorava uma festa. Os deuses nunca bateram cartão de ponto.. Uma saída honrosa, parece-me, está no Ócio Criativo. Pense nisso. E leia o texto abaixo, escrito por Domenico de Masi.
O trabalho poderá tornar-se uma fonte de felicidades, se as empresas transformarem a competitividade em competência, e a destrutividade em relações solidárias. Se elas forem mais cuidadosas com a estética de seus ambientes e objetos de trabalho. Se adotarem boas maneiras nas relações interpessoais e introduzirem um pouco da alma feminina em seus castelos embarricados pelos homens. Se abrirem uma brecha nos seus muros de proteção, permitindo a entrada de um pouco de ar puro.
Aí sim, o trabalho, junto ao calor do convívio cordial, se tornará uma oportunidade para a socialização, o prazer e a melhoria da qualidade da vida. Igualmente, para que a empresa tenha este carisma será sempre necessária a presença de chefes que incutam o entusiasmo, liberem os grupos dos procedimentos inúteis, gratifiquem os criativos, olhem para o futuro, promovam a inovação e tenham coragem de enfrentar o desconhecido.
Para tanto, as condições ideais ainda são aquelas descritas por Platão em O banquete: comodidade, um grupo de amigos criativos, paixão pela beleza e pela verdade, liberdade carismática, tempo à disposição sem a angústia de prazos e vencimentos improrrogáveis.
Felicidade, afinal, consiste também no fato de não ter prazos a cumprir.
Precisamos, portanto, educar as pessoas para o ócio, enriquecendo as coisas de significado, preparando-as para gozarem a vida e não, apenas, para exercerem profissões.
Enfim, para descobrirem que o paraíso existe - e que é aqui na terra. Mas que o inferno também existe - e consiste em não percebermos que vivemos num paraíso.
A amizade nunca impõe restrições aos atos do outro, nem constrói barreiras para impedir o crescimento do ser amado. Assim deveria ser o verdadeiro Amor. O Amor só acontece em sua plenitude numa relação de amizade.
Já imaginou passar a vida toda com um amigo só? Assinar um documento assumindo o compromisso de que só vai ter esse amigo pelo resto da vida?! Almoçar só com ele, jantar só com ele, ir ao teatro, ao cinema, à praia - só com ele! Viajar só com ele - e só se ele permitir..
Dormir ao lado dele todo dia! Conversar sobre os mesmos assuntos, ver os mesmos programas de tv, entediar-se mutuamente - todo dia!
Ah... a amizade com certeza não resistiria!
Então, por que você acha que o "amor" seria capaz de resistir?
Calo-me perante tua extrema necessidade do meu silêncio. Como um boi, muuuudo de palavras, deixo sufocada minha voz na garganta, à espera do momento em que possas ouvir-me como sou. Calo-me, contudo, sem precisar o tanto que em quase nada me torno. A própria falta não podem os teus olhos suportar, a tal ponto que uma certa ausência esvaziada de sentido, errada, vai preenchendo de faltas esse espaço faminto em que pensamos existir. E porque calo-me de todas as formas por tua causa, nada me resta, senão deixar ainda mais intensa minha vontade de viver. Ao fim, sei que não haverá sentimento algum que possa deixar-me menor do que hoje sou, porque sou eu mesmo a parte mais satisfeita dessa poesia escandalosa que me nutre. Em verdade, eu me alimento todo dia de uma desesperada fome de mim mesmo.. E nunca vou me saciar.
Um anjo delicado esteve comigo esta noite, e derramou inocências e lágrimas no meu peito nu, sinal do seu amor profundo, gotinhas de paixão por mim. Joyce Ann chegou a imaginar a própria morte levando-a daqui para sempre... Então ficou me sussurrando, como se rezasse ao Deus do sono que teimava em me abraçar. Quem é que apagaria a luz quando eu dormisse? Quem é que fecharia meu livro aberto caído na cama, na página doze? Quem me cobriria nas noites de frio com meu edredon amarelo? Quem passaria tão perfeitamente as minhas camisas azuis? Quem seria capaz de me amar como ela hoje me ama? Quem é que me compreenderia tanto tanto? Então ela chorou de novo, e mais. E eu.